quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Conhecendo a Coreia do Sul e o Vietnam – parte 2, Hanói e Ha Long Bay


Antes de começar a ler sobre nossa passagem por Hanói e Ha Long Bay, no Vietnam, dê uma olhadinha no vídeo abaixo.

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Agora veja como é que se faz para atravessar a rua:

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É assim: quer ir para o outro lado? Não pensa muito, não! Vai na fé! Com essa loucura toda era para haver um atropelamento atrás do outro. Mas não: pelo menos nos três dias que ficamos lá, não vi nada. Não que quisesse ver, não é isso. Mas é realmente incrível e inacreditável uma situação dessas pra atravessar uma simples rua.

O trânsito de Beijing perto do de Hanói é uma verdadeira maravilha! 

Pra ter uma ideia da quantidade de motos na cidade, Hanói, a capital do país, tem uma população de 9 milhões de habitantes e 7 milhões de motocicletas! E  o barulho que fazem?

Elas estão por todos os lados da cidade. Não dá pra andar pelas calçadas sem “cair” sempre na rua, porque as motos ficam estacionadas pelo caminho.


Motos e carros pra lá e pra cá. Não tem mão, nem regra,
mas eles se entendem.


Motos na calçada: cena comum.


Pais esperando os filhos em frente a uma escola.


Mais de um na moto é natural. 

Nos riquixás de Hanói os motoristas vão atrás, diferente dos
de Beijing, que vão na frente.


Além das motos têm também as pessoas que costumam ficar sentadas nas calçadas em banquinhos, e que parecem passar o dia inteiro ali, comendo uma sopa aguada e outros “quitutes” locais de aspecto duvidoso.

Mesinhas na rua...


...muitas pessoas comendo nas calçadas.


Tem até sapateiro trabalhando "ao ar livre".


Verdade seja dita que me falaram que eu ia ver muitos ratos pela rua. Não vi nenhum, apesar da sujeira. As pessoas preparam a comida na calçada, na porta de casa, da loja... talvez pra fugir do calor que deve fazer lá dentro. Hanói é uma cidade quente, úmida. Chove muito.


Mulher preparando a comida na calçada.


Acho que são patos.


Olha a pose do homem... e os quitutes que ele vende.



Vai um pãozinho francês?


É claro que sim!



Cena comum no Vietnam. A mulher parece estar
carregando a casa.


Essa outra vende tangerina.


E essa aqui aproveita a vida de turista.


Mas apesar de todos esses “probleminhas” foi incrível constatar que havia muito mais turistas em Hanói do que em Seul. Vi muitos europeus andando pela cidade, todos bem à vontade: camisa, bermuda, chinelo, vestido... o clima local – tropical - permite esse despojamento no jeito de se vestir. Um pessoal meio “bicho-grilo”.

As construções vietnamitas são bem peculiares. Os prédios normalmente são estreitos e altos, colados uns nos outros: são chamados de “prédios-foguetes”. Existem também construções voltadas para a arquitetura francesa, herança dos tempos de colônia.

Típico "prédio-foguete".


Um grudado no outro.


Ópera de Hanói, ou Nha Hat Lon - Casa da Grande Canção. 
Inaugurada em 1911 tem o estilo da arquitetura
colonial francesa.


Entrada de uma escola. Uma mistura de estilos: vietnamita e francês.


O vietnamita é um povo sofrido. Já passou por guerras internas, sofreu com a colonização francesa e se superou na guerra contra os americanos. Também passaram pelo Vietnam portugueses e holandeses, todos de olho no comércio de especiarias. Em 1954 o Vietnam se libertou dos franceses e um ano depois foi invadido pelos americanos, que queriam dar um fim ao comunismo local. As tropas dos Estados Unidos deixaram o país em 1973 – naquela que foi a maior derrota dos americanos, até hoje, num campo de batalha. 

Em Hanói visitamos pouca coisa. Tiramos foto do lado de fora da Catedral da Cidade, que estava fechada e andamos pelas ruas.


Catedral de São José - Nha Tho lon - inaugurada em 1886.


Lago Hoan Kiem, no centro de Hanói.


Descansando na beira do lago.


Em frente a placa comemorativa aos 1000 anos de Hanói.



Ponte The Huc - Ponte Raio de Sol - que leva ao Templo da Montanha de Jade.


Den Ngoc Son - Templo da Montanha de Jade.
Erguido no começo do século 19 tem em seu interior uma 
tartaruga gigante que morreu no lago em 1968.
Não entramos pra conhecer.



Torre da Tartaruga - Thap Rua
Diz a lenda que durante a ocupação Ming, um general chamado Le Loi ganhou de presente
uma espada mágica de uma tartaruga divina, que vivia nas águas do lago.
Com essa espada ele expulsou os chineses e se proclamou imperador.
Uma pagoda em homenagem a tartaruga foi erguida na ilha, que fica bem no meio do lago.




Andando pela cidade vimos muitas lojinhas como essa nas calçadas. 
Elas vendem caixões e placas para serem colocadas nas lápides.


Gambiarra de fios num poste. 
Se houver um problema deve ser difícil
descobrir onde está.


Com o Nón Lá, o típico chapéu de folhas vietnamita usado para
se proteger do sol e das chuvas das monções.
Souvenir da viagem.



Os homens também entraram na brincadeira.


Mulher com o traje típico vietnamita, o Áo Dài
É um vestido de seda de corte apertado, usado sobre uma calça. 


O Vietnã é um país barato para o turista. Há muito artesanato. Coisas de qualidade e outras nem tanto, como em tudo quanto é lugar. É preciso pesquisar.

A moeda do país é o Dong. Tem mais zeros ainda do que na Coréia. Um par de sapatos, por exemplo, pode custar 1 milhão de Dongs. Convertendo para dólar isso dá aproximadamente US$50 ou R$100. US$1,00 é igual a mais ou menos VND 20.000.

Mas nosso principal objetivo no Vietnã foi conhecer Ha Long Bay, que fica a 164km da capital. 164km que numa estrada horrível e cheia de motos e carros fez a viagem durar três horas e meia! Essa foi a parte chata e cansativa.

A estrada passa por diversas cidadezinhas. Se Hanói já é simples, imagina esses lugares... A estrada não tem acostamento e o asfalto é precário com muitos buracos. Me fez lembrar muito as viagens que fazia com meus pais e meu irmão para a Região dos Lagos, no Rio de Janeiro, na minha infância. Cheguei até a brincar dizendo que estávamos passando na antiga “Rodovia Amaral Peixoto”.

Na estrada vimos vários cemitérios no meio das plantações.


Quilômetros e mais quilômetros de muita área verde.

  
Fomos num tour que nos pegou no hotel às 8 da manhã e que foi parando em outros hotéis para pegar mais turistas. Com a gente viajaram uns quatro vietnamitas, uns três alemães – sendo que uma mulher não parou de falar a viagem inteira lá no fundo do ônibus (como se dizia antigamente, “engoliu a vitrola”). Além desses tinha também um casal de portugueses e um de franceses. Esses dois últimos estavam com um cheirinho nada agradável. Pior que a mulher francesa carregava uma bacia de plástico pra lá e pra cá – eles iam passar a noite em Ha Long Bay. Será que ela usava aquela bacia para um “banho tcheco”?

Nosso guia vietnamita tinha um inglês horrível. As palavras saíam cortadas. Ele se identificou como “Number One” e disse que o motorista era o “Number Two”. Uma figura.

Após um rápido “pipi-stop” na estrada, chegamos por volta de uma da tarde a Ha Long Bay


Na parada na estrada pudemos observar o trabalho artesanal
de algumas vietnamitas. Essa daqui está tecendo uma tela.


A baía de Ha Long, que ocupa uma área de 1.500km², possui mais de duas mil formações de calcário em forma de picos. O local é considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e também uma das Maravilhas Naturais do Mundo.

Assim como os chineses, os vietnamitas adoram uma lenda. Eles contam que a Baía foi formada quando um enorme dragão mergulhou nas águas do golfo de Tonquim e com a chicotada de sua cauda criou as milhares de ilhas da região. “Ha Long” em vietnamita significa “dragão que desce”.

Quando fomos comprar nosso passeio, o vendedor nos mostrou fotos lindas de um barco suntuoso, com uma enorme vela: o chamado Junco. Só que quando chegamos em Ha Long Bay a realidade foi outra, bem diferente. Nossa embarcação era velha e feia. Mas nada diferente das outras espalhadas pelo lugar. Não havia nenhum Junco como os das fotos de turismo que costumamos ver nas propagandas. Absolutamente nenhum!


Movimento no cais de Ha Long Bay.


Tuninho de ajudante do guia.


Esperando a hora de entrar no barco.



Esse era o nosso Junco.


Agora olha o Junco que é mostrado nas agências de turismo e nas propagandas.
Igualzinho ao nosso, né?


Os Juncos eram todos parecidos. Sem glamour algum.


A primeira coisa que fizemos no barco foi almoçar. No cardápio comidas locais que somente o Tuninho e o Fernando conseguiram comer e gostar. Eu ainda me arrisquei num prato “verdinho” e a Cris experimentou a sopa de ostra. A criançada foi mesmo de biscoito e batata-frita que trouxemos. O kit-salvamento.


Fernando e Tuninho apreciando o almoço.


O cardápio.


Olha a cara da sopinha de ostra. 
Isso é que é sopinha aguada. 


A primeira parada do passeio foi na ilha de Dau Go, a 4km do cais de saída, onde visitamos a Gruta Thien Cung (Palácio Celestial). A gruta é bonita com formações de estalactites e estalagmites, mas tem também muita coisa “fake”, criada pelos vietnamitas. De alguns pontos a água jorrava do solo e ouvi um guia contar que aquela água vinha lá do fundo da terra. Mentira: havia um fio dentro da água que, provavelmente, estava ligado a algum motor que bombeava a água para cima, como se fosse um gêiser. Aquilo não era natural “nem aqui nem na China”!

Bati com os nós dos dedos numa das paredes e percebi o som “oco”, ou seja: não era rocha de verdade. 

Mas como falei anteriormente, o lugar é bonito e as luzes multicoloridas dão um visual interessante às rochas, e vale a visita. Engraçado é observar o guia apontando as formações rochosas e identificando figuras nelas, como um casal namorando, um elefante. Tem até símbolo fálico! Pra mim é como olhar para as nuvens: a imaginação corre solta.

Do lado de fora, na praia, estão fazendo uma obra, provavelmente para melhorar a infraestrutura turística do lugar.

As luzes artificiais dão um bonito colorido a caverna.


Aqui a luz é natural. Lindo.



Água jorrando do chão: fake.



O interior da gruta é quase todo assim.



Dá pra ver a tromba de um elefante aqui?



Lá em cima, na saída da gruta.


Pelo visto estão trabalhando para melhorar a
infraestrutura do local.

  
Na saída da baía nosso barco bateu, isso mesmo, bateu em um outro enquanto fazia a manobra. Nosso timoneiro era muito ruim. Na nossa segunda parada ele conseguiu quebrar uma das janelas da embarcação porque entrou com muita velocidade no píer. Imagine quanta adrenalina.


O timoneiro, ali atrás da gente, era um barbeiro.


A meninada aproveitando o sol no deck de cima.

Nessa parada passeamos numa pequena Sampana, dirigida por uma vietnamita. Ficamos impressionadas como ela tinha força para remar carregando todas nós. Éramos duas adultas e quatro crianças. 

Na Sampana, prontas pra começar o passeio.


Aqui, no meio da baía, na entrada de uma caverna.


A vietnamita "timoneira" da nossa Sampana.
Elas ficam todas protegidas do sol.


Essa parte do passeio foi a mais bonita de todas: passamos por duas cavernas que nos levaram ao interior de pequenas enseadas.


Entrada da caverna.


Dentro da enseada. Lugar muito bonito.



A entrada da enseada, vista de dentro dela.


Olha que coisa linda.



Demos sorte porque a maré estava baixa.



Sampana na nossa frente.



O sol começava a se pôr.



A água local não é cristalina, muito pelo contrário, é esverdeada e escura. Mas as formações rochosas espalhadas pela baía são realmente belas.



Se a água fosse clarinha seria ainda mais bonito.


Formações rochosas de calcário.



Essa pedra está estampada na cédula de 200 mil Dongs
o dinheiro vietnamita.


200 mil dongs.


Interessante são as casas flutuantes espalhadas pelo lugar. Tem até escola para as crianças. A mulher que dirigiu nossa Sampana disse que morava numa delas.

Casas flutuantes no meio da baía.


Tem até escola.


Depois do passeio de Sampana resolvemos andar de caiaque. Fui com a Amanda e a Gigi. Pensei que era bem mais fácil remar, mas apesar de todo o esforço, me saí bem. A espertinha da Amanda quase sempre ficava só na dela, enquanto eu fazia o maior esforço. Numa das saídas das cavernas batemos num barco, quase atolamos, mas tudo acabou bem. Sobrevivemos. Aventura é assim!


Remando, remando...


A tarde já caía quando começamos a retornar para o porto. O pôr do sol nos proporcionou belas fotos.



Minhas princesas.


Fim de passeio.



O pôr do sol quando já chegávamos ao cais.


O chato de todo passeio é sempre a volta. Tá todo mundo cansado, doido pra chegar ao hotel, tomar banho... Mas tínhamos mais três horas e meia de viagem! E a volta foi tensa. Na estrada, mal iluminada, o motorista entrava pela contramão, buzinava aqui e ali. E os outros carros passando a toda do outro lado. Estava vendo a hora em que íamos pegar um outro carro de frente e aí eu não estaria aqui pra contar essa história. Finalmente, por volta de nove da noite chegamos ao hotel. Foi tenso!

No dia seguinte fomos andar pela cidade pra fazer umas comprinhas e visitar a antiga prisão militar, Hoa Lo, que foi usada tanto pelos franceses como pelos vietnamitas e que atualmente é um Museu. Nele os vietnamitas contam como foram maltratados pelos franceses e, por outro lado, mostram como trataram bem os presos americanos. Nada que lembre àquelas sessões de tortura sofridas pelos americanos nos filmes de Hollywood, com imagens dos soldados presos em celas imundas, ou em buracos cheios de água no meio do mato... O que é verdade e o que é mentira? Só quem passou por lá é que pode dizer. E na prisão há vídeos e inúmeras fotos mostrando os americanos sendo bem tratados, jogando bola, recebendo cartas de parentes.


Entrada da Prisão Hoa Lo.
Durante o domínio francês se chamava Maison Centrale.



Os vietnamitas mostram que foram maltratados
pelos franceses, durante o período colonial.
 O local abrigava, principalmente,
presos políticos.


Guilhotina usada pelos franceses para
decapitar os presos.


Alguns presos conseguiram escapar através dos
antigos sistemas de tubos que levavam ao esgoto.
O pedaço de um está exposto no museu.



Foto que mostra os presidentes da China e do Vietnam do Norte, 
Mao Tse Tung e Li Chao Qi, juntos em Beijing, no dia 10 de fevereiro de 1965, 
assistindo a uma manifestação contra a invasão americana ao Vietnam.



Uniforme usado pelos presos americanos.



Cama usada pelos presos.


Essa foto mostra os últimos presos americanos a
deixar a prisão, em 29 de março de 1973. 


O ex-candidato à presidência dos Estados Unidos nas eleições de 2008, Senador John Mc.Cain, passou pela prisão de Hanói. O uniforme de piloto que ele usava quando foi capturado, em outubro de 1967, após ter seu avião abatido, está exposto no museu.


Uniforme de John Mc.Cain.



Painel no interior do Museu.



Essa visitante parece que saiu direto da cama para o museu: 
estava de pijama!



Nossa passagem pelo Vietnam foi rápida, mas interessante. Gostaria, agora, de conhecer a parte central e sul do país. Ho Chi Min, a antiga Saigon, fica no sul e é mais moderna. O Centro do país possui belas praias. Quem sabe numa outra oportunidade? Aí vou ter mais coisa pra postar aqui no blog.

Algumas curiosidades sobre o Vietnam:

·       Hanói fazia parte do Vietnam do Norte. Na Guerra Americana, como eles costumam chamar o conflito contra os Estados Unidos e que conhecemos como Guerra do Vietnam, o Vietnam do Sul foi apoiado pelo americanos. Em 1976, a reunificação do Vietnam do Norte e do Sul deu origem a República Socialista do Vietnam.


Bandeira do Vietnam após a reunificação.



·       O Vietnam é um país longo e estreito, em forma de “S”. A maior cidade do país é Ho Chi Minh, a antiga Saigon. Apesar de Hanói ser a capital oficial, Ho Chi Minh é considerada a capital econômica.


Mapa do Vietnam em forma de "S". 
O país faz fronteira com a China, o Laos e o Camboja.



·       O Vietnam está localizado na Indochina, ou Península Indochinesa. Uma região do sudeste asiático, entre o leste da Índia e o sul da China. Fazem também parte da Indochina o Camboja e o Laos. Alguns apontam, ainda, Myanmar e Tailândia como países da Indochina.


O Vietnam é um país asiático que fica na Península da Indochina.


·       Ha Long Bay foi o primeiro porto vietnamita usado como entreposto internacional de trocas, no século XII.


Ha Long Bay está na parte norte do Vietnam.


·       O Vietnam é o segundo produtor mundial de café, atrás apenas do Brasil. Mas falar do Vietnam é lembrar das plantações de arroz. A cultura arrozeira emprega cerca de 80% da população do país que esse ano ultrapassou a Tailândia e assumiu o posto de maior exportador de arroz do mundo. A Tailândia caiu para o terceiro lugar, sendo ultrapassada, também, pela Índia.

·       O lema do Vietnam é Độc Lập, Tự Do, Hạnh Phúc
"Independência, liberdade, felicidade".

Muito parecido com o francês:  Liberté, Égalité, Fraternité, “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”.






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